sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Instruções


Estou com medo de escrever. Escrever e imortalizar um sentimento. Escrever e esquecer. E lá em frente ler, e sentir de novo. E doer de novo. Relembrar o que deve ser esquecido. Ver que não esquece. Cutucar a ferida. Imaginar como poderia ter sido. Fantasiar cenas em câmera lenta. Sentir saudade do que não existiu nunca. Saber que foi melhor assim. Se convencer disso. Fugir de uma ilusão com outra ilusão. Fingir que tudo bem. Acreditar no que foi proposto. Ignorar o fato de não ter dado tudo de si. Abstrair. Sublimar. Racionalizar sentimentos. Colocar armaduras. Continuar dando passos tortos. Encarar a realidade, os fatos. Os indícios. O que tudo isso indica. O destino que não foi. A crença que não é. O toque não sentido. O passado presente. Presente não aberto. Futuro escrito.
Assim fica mais fácil. Assim já sabemos o que fazer. Assim, quando não se tenta, não se sente culpa pelas conseqüências. Assim machuca menos. Assim podemos colaborar com o movimento “venda nos olhos”. Assim é fácil. É só ler o manual.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Aniversário


Aos 28 eu não sou o que eu esperava que eu seria. Nem o que você esperava que eu seria...
Aos 28 eu achava que teria feito mais. Talvez “mais” não seja o melhor termo... Talvez “diferente” se encaixe melhor.
Na adolescência eu pensava que com esta idade estaria resolvida (entenda-se por resolvida casada, com filhos e economicamente estável). E pois bem, nada feito. Fracasso? Não! Diferente!
Minha vida reservou emoções maiores para mim. E este caminho que sigo não foi o que escolhi, foi desenhado pelos acontecimentos e me fez chegar aqui, onde estou. E hoje vivo a vida que nunca imaginei que viveria, e quer saber?! Acho que me sai bem!
E entendi que “resolvida” não quer dizer nada daquilo que citei acima... Eu vou me “resolvendo”, me descobrindo e evoluindo. Sempre. Independente do caminho, das escolhas e dos resultados.
Aos 28 não ganhei só o medo de chegar aos 30, novas curvas e menos tempo. Ganhei bênçãos. Novo trabalho. Nova casa. Novos aprendizados. Novas amizades. Ganhei meus velhos e bons amigos ainda comigo, por esta estrada, distantes ou não, mas sempre no coração. Ganhei a oportunidade de passar ótimos momentos com minha família, de superar dificuldades e sentir o alívio e as felicidades que as conquistas proporcionam.
Enfim, aos 28 eu não sou mesmo o que a gente achava que eu seria... Sou muito mais feliz!!!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sem Mistura


Por saber talvez o quão inevitável são as perdas, tenha optado por não ter mais nada, por não lutar por aquilo que deseja. Evita assim a dor do fim. Evita assim a alegria dos começos.

Mas como viver plenamente a felicidade sabendo que logo ali adiante alguma tristeza lhe afetará? Como controlar a ansiedade pelo óbvio, o quase certo?

E se vai se machucar com certeza não há razão então para não aproveitar infinitamente cada sorriso, cada beleza, cada realização...

Os bons momentos que dão sustentação para aguentar os maus momentos. As lembranças felizes mantem a esperança, a vontade de resgatar os belos sentimentos.

A busca é essa: Encontrar a genuína felicidade, aquela que tivemos algum dia sem saber o que nos aguardava pela frente.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Significados


Pensando sobre o significado das coisas. Sobre os inúmeros significados que uma única coisa possui... Sobre as milhares possibilidades de interpretação...Um sentimento que nasce em alguém para outro alguém, é verdadeiro por si só ou precisa da verdade do outro para existir? Este sentimento é dependente ou independente? Caso o outro tenha se enganado ou construído uma mentira, isso invalida também o nosso sentimento?
Amar sempre, ser regido pelo amor, ser dono de seu próprio sentimento... Mas se este sentimento foi alimentado falsamente, ele muda de significado, não? Se transforma, não é mesmo? Um único sentimento com inúmeras versões...
Escolhe se aquilo tem razão de ser ou não. Se tiver, a razão tem influência, senão, é todo seu. E de qual forma a vida pode ser mais amena? Com razão e euforia ou calmo e altruísta?

A gente se agarra a resposta dependendo da maré...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Só...


Cada vez estou mais convencida de que somos as gentilezas que fazemos quando não há ninguém olhando... E essas são nossas atitudes essencialmente puras e livres de qualquer julgamento alheio.Gentilezas que fazemos quando estamos sozinhos... Seja gentilezas com o planeta, com o próximo, estes atos são os que melhor podem retratar um ser humano. E a falta deles também. Se em público temos atitudes louváveis e quando sozinhos temos comportamento contrário, de nada adianta. Talvez a consciência não seja maior que a atitude em alguns momentos, mas a sua ausência impede que a beleza se espalhe e contamine as outras pessoas positivamente.

Dê atenção a solidão. Ela sabe mais de você que você mesmo.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Próximo Passo


E de repente a vida se torna a arte de saber dar o primeiro passo. O primeiro próximo passo. E quando é realmente que deixamos de andar para pensar sobre o assunto? Quando deixamos de apenas ir para racionalizar tudo isso?

O aqui já não é mais o bastante, já faz parte da lista de coisas conquistadas. O inatingível se fez possível, já perdeu a magia, já não alimenta, não sacia o desejo de sempre querer mais.

O corpo precisa sempre do novo e esta necessidade as vezes faz com que se aja impulsivamente. Conquista-se o novo, mas não era o desejado...E as vezes a vida nos mostra que temos que analisar melhor a situação. O novo está li, em frente, mas já analisamos tanto que não conseguimos sair do lugar.

Parece-me então que a vida é a arte de ser feliz em um lugar desejando alcançar outro lugar. Sorrir no presente projetando a felicidade do futuro.

Porém, não se pode esquecer que o hoje foi plantado ontem e então, de alguma forma, a felicidade já está aqui.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Pedaços


O que tem no mundo que eu não tenho?

E o que eu tenho que não tem no mundo?

Se eu tenho, tem no mundo...Porque o mundo me tem.

Mas não me parece justo.

E mesmo assim, tem coisas que sinto ter mais do que há no mundo.

Será então que não faço parte dele? Ele existe sem mim...E eu? Posso continuar a existir sem ele?

Não, não posso...O meu mundo, por mais meu que seja, faz parte desse mundo. O compõe junto com os outros milhares de mundos existentes. Estamos juntos, unidos, contraditórios, complementares e falíveis.

Meus sonhos cabem em algum lugar. Algum lugar deste mundo que meu mundo não conhece. Algum lugar que ainda não cheguei. Mas existe, e um dia meu mundo será deste mundo também.